Justiça

Juíza condena homem a indenizar árbitro por agressão em partida na Asbac

Manuel Vitorino Jorge Menezes Lisa, de 75 anos, foi condenado a pagar R$ 10 mil por agredir juiz durante final de campeonato amador na Asbac; imagens de vídeo confirmaram o ataque e desmontaram a defesa

A agressão ocorreu no intervalo entre o fim do tempo regulamentar e o início da prorrogação da partida -  (crédito: Reprodução/ Asbac)
A agressão ocorreu no intervalo entre o fim do tempo regulamentar e o início da prorrogação da partida - (crédito: Reprodução/ Asbac)

O 4º Juizado Especial Cível de Brasília condenou Manuel Vitorino Jorge Menezes Lisa, de 75 anos, a pagar R$ 10 mil de danos morais ao árbitro Marcello Rudá, 34 anos, por uma agressão praticada durante uma partida de futebol amador, durante a final do 21º Torneio de Futebol Society Veterano da Asbac, no Setor de Clubes Sul. Em decisão tomada na semana passada e publicada no Diário da Justiça de quinta-feira (22/10), a juíza Oriana Piske rejeitou na íntegra os argumentos da defesa e condenou o agressor a pagar metade da indenização pedida pela vítima inicialmente.

Manuel Vitorino Jorge de Menezes Lisa, também conhecido como Baiano, é acusado de agredir árbitro durante torneio no DF
Conhecido como Baiano, Manuel terá que pagar R$ 10 mil de indenização (foto: Material cedido ao Correio)

Fique por dentro das notícias que importam para você!

"Embora a defesa tente enquadrar o episódio como simples desdobramento de tumulto generalizado, os elementos dos autos apontam em sentido diverso. O vídeo juntado aos autos afasta qualquer dúvida acerca da dinâmica dos fatos. As imagens registram de forma clara e objetiva o momento em que o requerido se dirige ao autor (da ação) e pratica a agressão física, corroborando integralmente a narrativa apresentada na petição inicial. O registro audiovisual evidencia que o episódio não decorreu de contato acidental ou de mero tumulto generalizado, mas de conduta voluntária e agressiva direcionada à vítima, que se encontrava no exercício de sua função de árbitro da partida", disse a juíza.

Leia mais

  • Asbac abre apuração interna após agressão a árbitro durante torneio

  • Justiça mantém condenação de jogador que agrediu árbitro em partida amadora

  • Vídeo: jogador agride árbitra depois de levar cartão vermelho

"O boletim de ocorrência registra que o autor, enquanto atuava na condição de árbitro da partida, foi atingido por um soco desferido pelo requerido e posteriormente alvo de ameaça verbal, acompanhada de gesto simulando arma de fogo. Além disso, a própria narrativa defensiva confirma que o requerido ingressou no campo durante o entrevero, admitindo sua participação direta nos acontecimentos", completou a juíza na decisão. "A prova produzida evidencia que a conduta extrapolou em muito qualquer discussão esportiva ordinária", concluiu Oriana Piske.

A agressão ocorreu na tarde de 4 de julho, no intervalo entre o fim do tempo regulamentar e o início da prorrogação da partida da final do campeonato amador da Associação dos Servidores do Banco Central. A Asbac abriu investigação interna sobre o caso, mas ainda não tornou público o resultado da apuração, apesar dos contatos do Correio.

No depoimento prestado aos agentes da Polícia Civil, ao qual o Correio teve acesso com exclusividade, Manuel confirmou que estava assistindo ao jogo quando decidiu partir para a agressão física contra o árbitro.

Manuel afirmou que faz uso diário de medicamentos para dormir. Segundo ele, na noite anterior à agressão ingeriu um comprimido de Donaren e um comprimido de Zolpidem. De acordo com a sua versão, a combinação dos medicamentos provocou um quadro de confusão mental na manhã seguinte. O suspeito também declarou que consumiu bebidas alcoólicas antes da partida, incluindo cerveja e cachaça.

Segundo o depoimento, a ingestão de álcool "teria contribuído" para o comportamento que ele classificou como desequilibrado. Manuel reconheceu que a agressão não deveria ter acontecido. "Em razão de discordar da atuação da arbitragem, desferiu agressão física contra o árbitro", registra o documento policial. No mesmo relato, ele afirma que o uso dos medicamentos, somado ao consumo de álcool, influenciou sua conduta naquele dia.

O Correio entrou com o advogado de Manuel, Ronaldo Falcão Santoro, para saber se vai recorrer da decisão. "Vou ver com meu cliente e dou um retorno", disse o advogado. O espaço segue aberto para manifestações.

  • Google Discover Icon
postado em 27/10/2026 17:11 / atualizado em 27/10/2026 18:54
x