
O ataque a uma alteração genética em duas frentes aumentou significativamente a sobrevivência de pacientes de câncer de pulmão em estágio avançado com a mutação EFGR. O resultado da terapia combinada, apresentado no Congresso Europeu de Câncer de Pulmão, em Paris, foi comemorado por oncologistas. Na avaliação do principal pesquisador, Nicolas Girard, da Universidade Paris-Saclay, na França, o estudo "reforça que estamos entrando em uma nova era para o câncer de pulmão de células não pequenas com mutação EGFR".
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Descoberta há 20 anos, a mutação EGFR representa 15% dos casos de câncer de pulmão de células não pequenas — o mais letal do mundo — em pessoas de origem africana ou europeia. Já em populações com ascendência asiática, o percentual é de 35%. Metade dos casos da doença em não fumantes está associada à alteração genética.
O tratamento desse tipo de tumor é feito com um comprimido oral, tomado em casa pelo paciente, diariamente. A droga de terceira geração — lazertinib — é um inibidor da mutação e tem alta eficácia no controle do tumor. "No entanto, nós sabemos que, invariavelmente, esse comprimido acaba perdendo o efeito e a doença começa a crescer novamente", observa o oncologista William William, líder nacional da especialidade tumores torácicos da Oncoclíncias&Co, que acompanhou a divulgação do estudo de fase 3 Mariposa, em Paris.
Endovenosa
Realizado com 1.074 pacientes, o estudo testou a combinação do lazertinib com uma droga endovenosa, o amivantanabe, que também tem a mutação EGFR como alvo, embora haja de forma diferente. "Foi demonstrado que essa combinação aumenta o tempo de vida dos pacientes, comparado com o uso do comprimido isoladamente", relata William.
Em 37,8 meses de acompanhamento, os participantes tiveram uma sobrevida livre da doença (sem progressão nem morte) de sete meses, em comparação aos pacientes que usaram apenas o lazertinib. "A combinação torna-se uma opção bastante interessante para ser usada como primeiro tratamento para esses pacientes com tumores avançados de mutação do EGFR", avalia o oncologista da Oncoclíncias&Co.
Os pesquisadores também testaram a combinação do comprimido com o amivantanabe em relação ao tratamento com o osimertinib, um inibidor de tirosina quinase (TKI) de terceira geração. Em 37,8 meses de acompanhamento, a sobrevivência dos pacientes do primeiro grupo foi de 56%, enquanto o do segundo foi de 44%. "Vemos a lacuna entre as curvas de sobrevivência continuar a aumentar, que é exatamente o que queremos ver no tratamento do câncer de pulmão para melhorar os resultados para os pacientes", disse, em nota, Nicolas Girard, da Universidade Paris-Saclay.
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