Literatura

Valter Hugo Mãe fala sobre novo livro nesta quinta no Instituto Camões

O escritor português Valter Hugo Mãe tem encontro marcado com o público nesta quinta (30/7), no Instituto Camões, para falar do novo livro, 'O século dos imbecis'

O escritor está em Brasília para falar sobre 'O século dos imbecis' -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O escritor está em Brasília para falar sobre 'O século dos imbecis' - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Depois de passar pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) na última semana, o escritor português Valter Hugo Mãe desembarca em Brasília para um encontro com o público no Instituto Camões, na Embaixada de Portugal, nesta quinta-feira (30/7), às 19h. O debate será mediado por Edney Silvestre e o autor vai falar sobre o romance mais recente, O século dos imbecis, publicado pelo selo Biblioteca Azul, da Editora Globo.

Leia também: País se despede do rei da dramaturgia brasileira, Benedito Ruy Barbosa

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Em entrevista ao Correio, Hugo Mãe contou que o livro nasceu da junção de duas ideias. A primeira delas surgiu há mais de duas décadas, quando o escritor começou a imaginar duas personagens que guardou para desenvolver em uma ocasião especial. “Criei uma história sobre duas costureiras aflitas com a sobrevivência. Guardei essas personagens por um tempo e elas foram chamando outras figuras que ficaram conspirando para algo que eu ainda não sabia exatamente o que seria”, conta. 

Leia também: Festival de teatro para a primeira infância ocupa o CCBB durante as férias

Veio então a segunda ideia: Hugo Mãe queria responder a um argumento explorado pelo italiano Ítalo Calvino na trilogia Os nossos antepassados. Em um dos livros, O cavaleiro inexistente, ele conta a história de Agilulfo, um guerreiro que participa de batalhas, tem vários nomes ao longo da narrativa, porém não existe no mundo real. Agilulfo pulou para O século dos imbecis com o mesmo nome. “Essa escolha reflete a percepção de que o clima de fim de história que atravessamos tem a ver com o fim da história dos homens — o esgotamento do poder masculino e das utopias propostas por eles. Hoje é difícil encontrar utopias masculinas pelas quais o mundo verdadeiramente se fascine”, explica o português.

Leia também: Mario Quintana: o solitário poeta que passou o fim da vida em hotéis e agora viraliza nas redes sociais

O século dos imbecis é uma reflexão sobre a contemporaneidade, embora tenha todos os ares de narrativa antiga. Agilulfo é um nobre que mora no alto de uma montanha. Cada vez que sai de casa e desce à cidade, perde toda a inteligência, que recupera apenas ao subir de volta para casa, onde é cuidado pela Criada, uma mulher sem nome que alimenta um desejo secreto pelo patrão e observa com astúcia o que se passa ao redor. Por ser nobre, Agilulfo também é alvo da cobiça dos habitantes da vila ao pé da montanha. 

Se Agilulfo é uma metáfora do fim da história dos homens, a Criada representa a utopia que, para o escritor, está hoje nas mãos das mulheres. “O homem detém o poder, mas está cada vez menos interessado no conhecimento, afirmando-se por uma prepotência que se traduz em violência. Já a mulher tem sofisticado a sua cidadania a partir da instrução e da busca por transformar informação em conhecimento”, repara. “No mundo dos livros, os índices mostram que a percentagem de leitoras é, no mínimo, o dobro da de leitores. Considerando que a leitura é fundamental para a sofisticação do pensamento, os homens caminham euforicamente para a imbecilidade, enquanto as mulheres caminham empenhadamente para a erudição.”

O romance é também um reflexo de uma certa desilusão com o projeto humano que, na visão de Hugo Mãe, está em marcha acelerada para o fracasso total. “Enquanto coletivo, estamos seduzidos por um lado lúdico e infantilizado diante da complexidade do mundo. A própria profusão de informação cria em nós o desejo de não ser responsável por nada. Antigamente, a cidadania trazia um compromisso maior com certas condutas sociais e com a confiança de que, fazendo a coisa certa, estaríamos protegidos. Hoje essa confiança no sistema e nos poderes está abalada”, lamenta o escritor.

 

  • Google Discover Icon
postado em 30/07/2026 12:02 / atualizado em 30/07/2026 12:03
x