
“Brasil (com s), ritual e brincadeira”, é assim que a banda Saci Wèrè define seu novo disco. Após seis anos do lançamento do primeiro álbum, o grupo brasiliense retorna com oito faixas, participações especiais e videoclipes no disco Pra ninar o fim do mundo. A obra surge do “espanto diante do fim do mundo”, contam os integrantes. “Nesse disco tem crítica, sarcasmo, mas também tem esperança e poesia.” Disponível nas plataformas de streaming, o segundo álbum da banda se propõe a ser um “antídoto, ritual e brincadeira”, um conforto em meio a tempos de incertezas.
Segundo os artistas, a estética do novo álbum nasce de uma leitura honesta sobre o presente — sem o viés do cinismo ou do conformismo da sociedade moderna. “Aí tem música satirizando os bilionários ou confessando uma solidão compartilhada, mas também tem música sobre a força ancestral e sobre a beleza das coisas simples”, explicam. “O segundo disco é diferente porque conta uma história. Neste disco, cada canção se articula ao coração da obra, que é o espanto diante do fim de um mundo.”
Com uma estética que beira o tropicalismo da década de 1960, a Saci Wèrè vive a ousadia, mas mantém a manifestação de amor ao Brasil. “Não qualquer ‘Brasil’, mas um que se opusesse ao estereótipo, ao Brasil fetichizado”, completam os integrantes. “A coisa é que o tropicalismo foi uma resposta a um momento histórico específico. E ao mesmo tempo tem ali um impulso, uma vida, algo de atemporal. A ousadia criativa, o desbunde, o desejo de borrar limites transcende aquela época, e continua atravessando a gente.”
“O fato é que Huguito nos desabrochou. Foi um furacão que passou por nossas vidas e nos ajudou a nascer artisticamente”, comenta a banda sobre Hugo Rodas, responsável pela direção artística do grupo e que morreu em 2022. Em meio à produção do novo álbum, a banda atravessou o luto de seu amigo querido e parceiro. “Aprendemos que estar num palco não é qualquer coisa. O acontecimento artístico é um fenômeno coletivo semelhante ao rito. É uma confluência de presenças e estados. Assim é a música e o teatro. O Hugo nos ensinou isso, e muito mais.”
Formada por Alan Abacate (violão), Amanda Duarte (voz e percussões), Chris Barea (voz), Danilson Oliveira (baixo), Fernando Mazoni (bateria), Gui Campos (guitarra) e Hélio Devadatta (percussão), a Saci Wèrè é uma banda experimental que conecta a tradicional MPB a ritmos urbanos e texturas eletrônicas. O álbum Pra ninar o fim do mundo investe nessa diversidade de gêneros, enquanto também busca transformar a incerteza de um mundo colapsado em canção.
*Estagiários sob supervisão de Nahima Maciel

Diversão e Arte
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