
O que os três fundadores do BizzME tinham em comum era achar que tudo poderia ser mais fácil para evitar parte dos 2 milhões falências por ano no Brasil. Além de educação nas áreas de economia, finanças pessoais e negócios, a startup brasiliense promete uma jornada de descoberta de propósito e um planejamento para pequenos empresários resistirem aos primeiros anos e prosperarem.
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A publicitária Alessandra Matschinski tentava doutrinar cada empreendedor que cruzava seu caminho com as possibilidades de crescimento em instituições que atendeu, como Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Agência Promotora de Exportações (Apex).
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Eduardo Moreth, mentor de negócios, vendia cursos on-line para empreendedores que não quisessem ficar pelo caminho. Já Gabriela Valente, jornalista da área econômica, achava que poderia fazer muito mais do que quando atuava nos bastidores do poder e até na própria equipe econômica.
Após deixar um cargo comissionado no Ministério da Economia, durante a gestão de Paulo Guedes no governo Bolsonaro, Gabriela abriu uma startup para falar do assunto com a geração Z. No entanto, tinha um problema: achar um modelo de negócio. Esbarrou na falta de interesse dos jovens no assunto e em setores que não compraram essa bandeira.
“Eu ficava imaginando que se eu, uma pessoa privilegiada, que estudou bastante, não conseguia achar um modelo de negócio eficiente, imagina quem não tem formação nenhuma e tenta abrir um negócio numa área isolada no interior?”, questiona.
Além de as profissões estarem em mutação acelerada por causa da tecnologia, outro ponto incomodava Gabriela: não vai haver vagas de emprego formal como antes e essa geração tem de estar preparada para empreender. Por isso, se uniu ao advogado Eduardo Moreth, que trabalha com mentoria de negócios depois de experiência numa gigante de telecom e em negócios digitais.
“A gente desenvolveu uma plataforma pensando em microaprendizagem. A ideia não é formar especialistas em negócios, mas dar o conhecimento necessário para a pessoa tocar seu sonho com a linguagem mais simples possível”, destaca o advogado.
Ambos nasceram na capital federal e se juntaram à Alessandra, que — apesar de ter nascido em Curitiba — veio para a capital criança e se considera uma brasiliense de coração. Ela cuida de toda a parte de comunicação da startup e do assunto com os empreendedores.
“A gente tem um propósito claro: mudar a realidade do empreendedorismo e formar a maior comunidade de pequenos empresários. Por isso, nunca passou pela nossa cabeça fazer um produto que não fosse grande parte gratuito”, garante Alessandra.
No Web Summit Rio, a startup vai apresentar sua solução a investidores de todo o mundo. O modelo da BizzMe é “freemium”, ou seja, tem uma grande parte grátis, permitindo que qualquer pessoa inicie seu negócio sem custo.
“A gente fala que quer resolver os problemas em 90 segundos. Esse é o tempo médio dos nossos conteúdos. O que importa é a pessoa entender conceitos e não aprender fórmulas. Isso pode deixar com a gente”, diz Alessandra.
Para Moreth, o evento será decisivo para escalar a startup. Lá, os três terão contato com cerca de 900 investidores. A missão é mostrar que existe mercado. “Empreender, pra muita gente no Brasil, não é uma escolha — é uma necessidade. Mas as poucas plataformas que existem tratam isso como se fosse um luxo, com cursos longos, caros e distantes da realidade. O BizzMe nasce com um propósito: levar ferramentas reais, práticas e acessíveis pra quem mais precisa. Porque acreditar no próprio sonho não deveria depender de burocracia."