
Às vésperas do dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, promete anunciar uma série de tarifas de importação no país, o dólar teve um dia de forte desvalorização ante o real e fechou em queda de 0,94%, aos R$ 5,70. O Índice DXY, que mede a força da divisa norte-americana em relação às principais moedas do mundo, foi na direção contrária e registrou alta de 0,1%.
Como explica o especialista em investimentos da Nomad Bruno Shahini, o tema das tarifas voltou a ser o foco para explicar o comportamento volátil dos mercados na sessão desta segunda-feira (31/3). Para o especialista, as preocupações concentram-se na incerteza quanto à implementação das políticas tarifárias pelo governo Trump e nas negociações subsequentes.
“Esses fatores dificultam que o anúncio do dia 2 de abril sirva como um ponto de alívio para os mercados e impedem uma recuperação mais ampla dos índices americanos. O sentimento do mercado permanece negativo, com revisões para baixo no crescimento da economia americana, nos resultados corporativos e no preço-alvo do S&P500”, avalia o economista.
Sobre o câmbio, Shahini avalia que foi mais um dia de aversão ao risco e do fortalecimento do dólar em relação às moedas de países desenvolvidos, com o real performando como uma das poucas divisas que se valorizou durante a sessão. “Houve declarações de membros do Banco Central Brasileiro reforçando o compromisso para alcançar a meta de inflação de 3%, o que representa juros domésticos mais altos e por mais tempo, dado que as expectativas de inflação ainda se encontram acima da meta”, destaca.
Bolsa de valores
Enquanto isso, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) teve um dia de forte queda, com baixa de 1,25%, aos 130.259 pontos. O resultado negativo da bolsa teve como reflexo a queda das ações de grandes bancos, como as do Itaú (-0,88%) e do Bradesco (1,32%), além da queda das ações da Vale (-1,49%) e da Petrobras (0,72%).
Para a especialista de investimentos da Hike Capital Gianluca Di Martina, a queda das ações se deve principalmente ao cenário de estresse maior nos Estados Unidos, à espera do dia 2 de abril. “E aqui o mercado ainda digere os dados divulgados pela Ata do Copom, que sinaliza ainda um aperto monetário na próxima reunião, mas com também algumas sinalizações positivas de que a economia já vem desacelerando”, considera.
Acumulado do trimestre
No último dia de março, o Ibovespa termina o mês com mais motivos para comemorar do que para maldizer. Nesse período, o principal índice da bolsa acumulou ganhos de 6,08%. No primeiro trimestre do ano, que também se encerrou ontem, o resultado foi ainda mais positivo: salto de 8,29% desde o primeiro dia de 2025.
Na avaliação do especialista em investimentos na WIT Invest Fernando Cesar, o último mês foi muito positivo, com o investidor estrangeiro voltando a “olhar com bons olhos” para o Brasil. “Iniciamos o mês de março com um mercado com algumas incertezas, andando de forma lateral. Porém, no decorrer do mês, tivemos uma alta bem expressiva e fechamos o mês com um resultado positivo, descolando do resto do mundo”, ressalta.