
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira (1º/4) que uma eventual taxação adicional dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros "causaria estranheza". O comércio bilateral entre os dois países é superavitário para os norte-americanos uma vez que o Brasil importa mais do que exporta para o país comandado por Donald Trump.
“Causaria até algum tipo de estranheza se o Brasil sofresse uma retaliação injustificada, uma vez que temos uma mesa de negociação desde sempre com aquele país justamente para a nossa cooperação ser cada vez mais forte”, disse em coletiva de imprensa em Paris, após encontro com o ministro das Finanças da França.
“Os EUA têm uma posição muito confortável em relação ao Brasil, até porque é superavitário tanto em relação aos bens, quanto em relação aos serviços”, destacou o ministro, que por isso, considera, não haveria motivos para taxação dos produtos brasileiros.
As declarações foram dadas às vésperas da implementação de tarifas extras de 25% sobre as importações prometidas por Trump, data definida por ele como "Dia da Libertação" dos EUA. Entre os setores afetados estão o aço e o alumínio. O Brasil exporta cerca de 4,5 milhões de toneladas de aço para o país, das quais a maior parte é de produtos semiacabados, fundamentais para a indústria siderúrgica americana.
Os detalhes sobre essa rodada de impostos, no entanto, ainda não estão claros. Haddad defendeu que o governo espere os anúncios formais antes de tomar uma eventual medida, mas não poupou críticas às políticas protecionistas do republicano. “A partir de amanhã, vamos ter um quadro mais claro do que os Estados Unidos pretendem”, indagou.
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“Quando a nação mais rica do mundo adota políticas protecionistas, parece não concorrer para a prosperidade geral. O mundo corre o risco de crescer menos, de aumentar menos a produtividade da sua economia”, disse.