Cenário fiscal

Durigan diz que governo não gasta mais do que arrecada e culpa juros por endividamento

O ministro da Fazenda demonstrou preocupação com trajetória da dívida e afirmou que governo Lula estuda reduzir benefícios para melhorar as contas

O chefe da equipe econômica do governo Lula voltou a defender o arcabouço fiscal:
O chefe da equipe econômica do governo Lula voltou a defender o arcabouço fiscal: "É com esse compromisso que vamos para os próximos quatro anos, melhorando as contas públicas" - (crédito: Washington Costa/MF)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, minimizou as críticas sobre o controle orçamentário e a gestão da equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre as contas públicas. O chefe da pasta defendeu que não há descontrole fiscal e que o governo gasta menos do que arrecada. 

“Têm números que mostram o resultado do ano. Olhar o orçamento, fazer os cortes, bloqueios, que a gente tem feito. O que aparece como preocupante é a projeção para a dívida para frente. Sei lidar com o fiscal de forma melhor, fizemos um ajuste de dois pontos do PIB. É com esse compromisso que vamos para os próximos quatro anos, melhorando as contas públicas”, disse Durigan em entrevista à Globonews nesta quinta-feira (6/8).

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O chefe da equipe econômica de Lula comentou sobre os desafios de fazer projeções em relação ao futuro, em meio a incertezas sobre o cenário internacional, como as guerras em curso e, consequentemente, as pressões sobre petróleo e outras commodities. Apesar das críticas sobre o modelo adotado a partir de 2023, o chefe da Fazenda voltou a defender o atual regime de metas fiscais para remediar possíveis danos às contas públicas.

“Há um desafio de entender para onde o mundo vai. Vamos ter guerra, choque do petróleo? Arcabouço fiscal veio para ficar, precisamos reforçar nosso fiscal”, disse Durigan, que não acredita em “má vontade” do mercado financeiro com a equipe econômica, mas em um “grau de incerteza e ansiedade no momento de eleição”, para tomar decisões a longo prazo.

Juros altos

Sobre a questão do endividamento alto, o ministro atribuiu o cenário ao patamar também elevado da taxa básica de juros. Ontem (5), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic de 14,25% para 14% ao ano. Apesar do ajuste, o comunicado do grupo ainda deixa em aberto uma nova queda dos juros na reunião de setembro.

“Precisamos trabalhar para reduzir a taxa de juros, com esforço fiscal, para que diminua o endividamento do país ou ao menos estabilize para projetar uma situação fiscal mais estável de médio e longo prazo”, disse Durigan. Ele também negou que o governo estuda mudanças no atual sistema de vinculação de ganho real do salário mínimo adotado desde o início do terceiro mandato de Lula.

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postado em 06/08/2026 12:18 / atualizado em 06/08/2026 12:22
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