Balança comercial

Exportações para os EUA têm queda de 5% em julho, sem efeitos do tarifaço

Mesmo anunciadas em julho, novas tarifas sobre produtos brasileiros passaram a ter efeitos apenas no dia 29

Uma lista de produtos brasileiros está sob efeito de uma tarifa de 25%, com base em uma investigação específica sobre o país na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA
 -  (crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Uma lista de produtos brasileiros está sob efeito de uma tarifa de 25%, com base em uma investigação específica sobre o país na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA - (crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A exportação de produtos brasileiros para os Estados Unidos registrou uma queda de 5% em termos de valor no mês de julho, na comparação com o mesmo período em 2025. Em volume, a redução chegou a 11,9%. Os dados foram publicados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), nesta quinta-feira (6/8).

Uma lista de produtos brasileiros está sob efeito de uma tarifa de 25%, com base em uma investigação específica sobre o país na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, de 1973, como calçados, madeira e máquinas elétricas.

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Além disso, outros itens foram taxados em 12,5%, devido a uma outra investigação na mesma legislação que alega falta de restrição a produtos feitos com trabalho forçado. Anteriormente, uma tarifa de 10% já estava em vigor, pela Seção 232 da mesma lei, mas que atinge todos os parceiros comerciais norte-americanos.

Apesar de as primeiras duas tarifas terem sido anunciadas e entrado em vigor em julho, elas passaram a valer, de fato, somente a partir do fim do mês, o que significa que a queda nas exportações para os EUA não possui relação direta com o novo tarifaço, como explicou o diretor de Estatísticas e Estudos do Comércio Exterior, Herlon Alves Brandão.

“A avaliação é que o resultado não está relacionado diretamente com o tarifaço. A medida passou a vigorar plenamente apenas após o dia 29 de julho, quando passou a valer, inclusive para os desembarques no país. Então, não é possível atribuir o movimento de julho todo à medida”, explicou o diretor, durante a coletiva de apresentação dos resultados da balança comercial brasileira.

Brandão ainda comentou que o único efeito poderia ser uma antecipação das compras, para evitar o aumento das tarifas, o que, mesmo assim, não ocorreu de forma geral a todos os setores, como evidenciado nos números para o mês de julho. As novas tarifas de 25% e 12,5% foram anunciadas nos dias 15 e 23 de julho, respectivamente.

“Poderia até atribuir a uma espécie de antecipação. Mas como o comércio está muito afetado por tarifas e instabilidade, é difícil fazer essa avaliação sem fazer um estudo mais aprofundado das informações. Mas em relação às últimas medidas, é possível afirmar que o movimento de julho ainda não sofreu esse impacto diretamente”, completou o diretor.

Além disso, os itens que apresentaram as maiores quedas de exportação para os EUA em julho estão na lista dos produtos que ficaram isentos das novas tarifas: aeronaves e outros equipamentos (-62,2%), ferro-gusa (-31,4%), café não torrado (-27,6%) e sucos de frutas ou vegetais (-25%).

Da mesma forma, de janeiro a julho, os produtos que tiveram as maiores quedas foram óleos brutos de petróleo (-25,5%), café não torrado (-34,1%), sucos de frutas e de vegetais (-44,2%) e produtos semi acabados de ferro/aço (-11%). “Eu atribuo esse movimento ao contexto econômico, à demanda. No comércio, o que é o principal determinante nos fluxos comerciais em uma situação estável são as questões de oferta e demanda dos mercados”, destacou o diretor do Mdic.

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postado em 06/08/2026 16:42 / atualizado em 06/08/2026 16:45
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