Tragédia na Ásia

Ajuda internacional é urgente, diz relator das Nações Unidas em Mianmar

O país asiático, que sofreu um golpe de Estado há quatro anos, é governado por uma junta militar. Para o enviado da ONU Tom Andrews, a comunidade estrangeira deve intervir para evitar mais ameaças e riscos à população

General Min Aung Hlaing, chefe da junta militar, visita os feridos -  (crédito: AFP)
General Min Aung Hlaing, chefe da junta militar, visita os feridos - (crédito: AFP)

O relator especial sobre a situação dos direitos humanos em Mianmar para a Organização das Nações Unidas (ONU), Tom Andrews, alertou ontem que é urgente a ajuda da comunidade internacional ao país asiático. Segundo ele, há quatro anos, a população sofre sob pressão da junta militar que teria preferido investir em armas do que na prevenção de desastres naturais. Uma decisão que põe em risco todos que vivem na região.

"O terremoto de hoje (do dia 28/03) é mais um desastre para o povo de Myanmar, que já vem sofrendo desde o golpe militar lançado há quatro anos. Uma forte resposta internacional é imperativa para levar a ajuda aos muitos que estavam na mira deste terrível terremoto", recomendou o enviado da ONU para a região.

Para Andrews, há descaso por parte do governo militar na adoção de medidas preventivas e agora nos cuidados com as vítimas. "A resposta da junta (militar) ao ciclone Mocha e ao tufão Yagi demonstra sua disposição de (escolher se) armar ao invés de ajudar em meio a desastres naturais. O mundo deve trabalhar com o governo de Unidade Nacional, organizações étnicas e grupos da sociedade civil para alcançar aqueles que necessitam de apoio de forma desesperada."

O enviado das Nações Unidas aproveitou ainda para ressaltar que a preocupação dos militares se concentra nas eleições, que querem promover, em dezembro. "A junta militar de Mianmar espera que o mundo aceite o que ela alega que será uma eleição no final deste ano. Não se pode realizar uma eleição livre e justa quando há milhares de prisioneiros políticos atrás das grades e o direito à liberdade de expressão e à reunião é ilegal."

Golpe militar

Em 2021, militares conseguiram dar um golpe em Mianmar e prenderam a conselheira do estado Aung San Suu Kyi. Ela recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1991, e o então presidente do país, Win Myint.

Os militares acusam o antigo governo de fraude eleitoral e pretendem manter-se no poder por um período de um ano. A comunidade internacional reagiu à tomada do poder pelos militar, entendendo que houve um atentado à democracia.

Atualmente, Mianmar está sob o comando do general Min Aung Hlaing, que promete a realização de eleições, no mais tardar em janeiro. Ele coordena uma ação violenta de repressão sangrenta contra qualquer dissidência. Para líderes internacionais e de grupos de direitos humanos, o plano de eleições é uma farsa.

Com pouco mais de 53 mil habitantes, Mianmar sofre com a intensa desigualdade social. A concentração de renda está um percentual mínimo de pessoas ligadas ao governo do país. De maioria budista, tem influências muçulmanas e de crenças tradicionais. Tanto é que muitos moradores foram surpreendidos pelo terremoto enquanto estavam em suas orações, inclusive monges com suas roupas tradicionais.

 

postado em 29/03/2025 06:02
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