
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos planeja retirar 5 mil soldados americanos da Alemanha, em meio a uma disputa entre o presidente Donald Trump e o chanceler alemão Friedrich Merz sobre a guerra no Irã.
A decisão ocorre um dia depois de Trump criticar Merz.
O chanceler alemão sugeriu que os EUA foram "humilhados" pelos negociadores iranianos.
Os Estados Unidos têm uma presença militar significativa na Alemanha, com mais de 36 mil soldados da ativa alocados em bases por todo o país, segundo dados de dezembro de 2025.
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, afirmou que "a presença de soldados americanos na Europa, e particularmente na Alemanha, é do nosso interesse e do interesse dos EUA".
Ao mesmo tempo, Pistorius deixou claro que a decisão dos EUA não foi uma surpresa.
O fato de os americanos retirarem tropas da Europa e também da Alemanha "era previsível", complementou ele.
Em postagens nas redes sociais na quinta-feira (30/4), Trump disse que Merz estava "fazendo um trabalho terrível" e tinha "problemas de todos os tipos", incluindo imigração e energia.
Trump também sugeriu a retirada de tropas americanas da Itália e da Espanha.
Em um comunicado, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, disse que a ordem sobre a saída de tropas americanas na Alemanha partiu do Secretário de Defesa, Pete Hegseth.
"Esta decisão segue uma revisão completa da postura das forças do Departamento na Europa e reconhece as necessidades e as condições no terreno", detalhou ele.
"Esperamos que a retirada seja concluída nos próximos seis a deze meses", concluiu Parnell.
Trump, um crítico de longa data da aliança da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), tem atacado aliados pela recusa deles em participar das operações para reabrir o estreito de Ormuz.
Questionado na quinta-feira se também consideraria retirar as tropas americanas da Itália e da Espanha, Trump respondeu: "Provavelmente sim; veja bem, por que não faria isso?"
"A Itália não nos ajudou em nada e a Espanha foi horrível", acrescentou, criticando a resposta desses países à guerra no Irã.
"Em todos os casos, disseram: 'Não quero me envolver'", complementou Trump.
Merz disse a estudantes universitários no início da semana que "os americanos claramente não têm estratégia" e que não conseguia ver "qual saída" eles poderiam escolher.
"Os iranianos são obviamente muito habilidosos em negociar, ou melhor, muito habilidosos em não negociar, deixando os americanos irem a Islamabad [no Paquistão] e depois partirem sem nenhum resultado", comentou o chanceler alemão.
Ele acrescentou que a "nação inteira", em alusão aos EUA, estava sendo "humilhada" pela liderança iraniana.
Em resposta, Trump disse na plataforma Truth Social que Merz achava "normal o Irã ter uma arma nuclear" e que "não sabe do que está falando".
"Não admira que a Alemanha esteja indo tão mal, tanto economicamente quanto em outros aspectos!", afirmava a publicação do presidente americano.
A BBC entrou em contato com a embaixada alemã em Washington para comentar o assunto, mas não recebeu respostas até a publicação dessa reportagem.
O destacamento militar dos EUA na Alemanha é de longe o maior na Europa. Na Itália, são cerca de12 mil soldados americanos, e outros 10 mil estão no Reino Unido.
Muitos deles estão na Base Aérea de Ramstein, nos arredores da cidade de Kaiserslautern, no sudoeste da Alemanha.
Trump já propôs reduções nas tropas americanas na Alemanha, mas até agora essas medidas não entraram em vigor.
Apenas o Japão abriga uma presença militar americana maior no mundo.
Em 2020, ainda no primeiro mandato de Trump, uma proposta para transferir 12 mil soldados americanos da Alemanha para outros países da Otan na Europa ou de volta para os EUA foi bloqueada pelo Congresso e foi posteriormente revertida durante a presidência de Joe Biden.
À época, Trump acusou a Alemanha de ser "inadimplente", porque os gastos militares do país estavam bem abaixo da meta da Otan, de 2% do Produto Interno Bruto (PIB).
Mas esses gastos subiram drasticamente sob o governo Merz.
A Alemanha deverá desembolsar € 105,8 bilhões (R$ 614 bi) em 2027 com defesa, algo equivalente a 3,1% do PIB do país.
No ano passado, os EUA decidiram reduzir a presença militar na Romênia, como parte do plano de Trump de mudar o foco do compromisso militar americano da Europa para a região do Indo-Pacífico.
O ministro da Defesa da Romênia disse que a decisão foi tomada depois que Hegseth transmitiu aos romenos a necessidade de prestarem mais atenção à própria defesa.
A decisão sobre a Romênia foi recebida com desaprovação por alguns dos colegas republicanos de Trump no Congresso, e com preocupação por outros países do Leste Europeu, que desconfiam das intenções da Rússia na região.
*Com reportagem de Bethany Bell
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