Música

Artista fazem boicote ao cantor Ed Sheeran após polêmica sobre Gaza; entenda

Diversos artistas que participariam dos shows de Ed Sheeran no segundo semestre de 2026 abandonaram a turnê em solidariedade a Macklemore e a causa palestina

Cantor inglês é alvo de críticas por não se posicionar sobre censura de artistas  -  (crédito: Reprodução redes sociais)
Cantor inglês é alvo de críticas por não se posicionar sobre censura de artistas - (crédito: Reprodução redes sociais)

O cantor britânico Ed Sheeran, 35 anos, recebeu uma onda de críticas e pedidos de boicote nesta terça-feira (15/9) após o anúncio de que o rapper Macklemore seria retirado da turnê Loop nos Estados Unidos devido à comentários  pró-Palestina feitos pelo norte-americano. 

A decisão foi tomada após um show em Nova Jersey, no dia 4 de setembro, em que Macklemore gritou “Palestina livre” no palco e disse ao público que gostaria que o povo de Gaza e da Cisjordânia, ambos territórios ocupados por Israel, soubessem que não foram esquecidos.

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Em outra apresentação, Macklemore se dirigiu aos fãs judeus na plateia. “Críticas a Israel, críticas ao apartheid, ser contra o genocídio não são, de forma alguma, críticas a vocês. Minha mensagem é pela paz, pelo amor; para que todos os seres humanos sejam tratados com dignidade, respeito e igualdade”, declarou.

As falas do rapper geraram reações negativas do Conselho Israelense-Americano e do grupo StopAntisemitism, que o acusaram de “propaganda anti-Israel”. A promotora da turnê de Ed Sheeran, Messina Touring Group, acatou os pedidos de remoção do artista feitos da turnê. 

Em entrevista à revista Rolling Stone, a Messina afirmou que o boicote de casas de shows ao rapper americano resultaria no cancelamento da turnê e afetaria milhares de fãs.

Vencedor do Grammy 2014, Macklemore estava escalado para abrir oito de dez shows de Ed Sheeran a partir de 19 de setembro. Ele é um defensor declarado da causa palestina e se junta ao crescente número de artistas críticos às políticas de extermínio empreendidas por Israel em territórios ocupados.

Guerra chega ao mundo da música

Nas redes sociais, os dois artistas comentaram sobre o caso. No Instagram, Macklemore reforçou o apoio à causa palestina e criticou a posição “apolítica” de Ed Sheeran.

“Tomar um lado pode custar dinheiro, acordos comerciais, patrocinadores, festivais, shows privados, relacionamentos e acesso”, explica. “Mas não existe posição neutra entre o opressor e o oprimido. Quando um dos lados tem bombas e infinito apoio financeiro e militar dos Estados Unidos, se recusar a tomar um lado não deixa você no meio”.

O rapper também lembrou que é amigo de longa data do astro inglês e afirmou que está aberto ao diálogo. “Quem está ganhando na internet, quem está sendo cancelado, quem vai tocar no estádio e quem não vai. Tudo isso se torna tão pequeno quando vemos o que está acontecendo em Gaza e na Cisjordânia”, declara.

O cantor de Shape of You também foi ao Instagram para comentar o caso. Na publicação com comentários trancados, Ed Sheeran afirma que o conflito entre Israel e Palestina causou sofrimento em ambos os lados e se defendeu de críticas.

“A saída de Macklemore da turnê foi uma decisão da produtora, não minha”, afirma. “Eu não sou um cúmplice. Tenho minha visão pessoal sobre esse conflito devastador. Só porque eu escolho não falar sobre publicamente, não quer dizer que não me importo”.

As demais publicações do inglês receberam vários comentários de usuários indignados. “Se recusar a tomar um lado frente a uma limpeza étnica é, de fato, tomar um lado”, escreveu um internauta.

Desde o início da última campanha militar de Israel em Gaza, em 2023, outros artistas do mundo pop já se posicionaram a favor dos povos palestinos. Entre eles estão Roger Waters (ex-Pink Floyd), a cantora Billie Eilish, o produtor Brian Eno e o ator Mark Ruffalo.

Boicotes

Ao longo do dia, diversos artistas que participariam dos shows de Ed Sheeran no segundo semestre de 2026 abandonaram a turnê em solidariedade a Macklemore e a causa palestina. Os músicos Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga anunciaram que não acompanharão mais a turnê Loop.

“Artistas não podem ser silenciados quando eles falam pelo oprimido. Decidi me retirar das próximas datas com Ed Sheeran. Eu apoio a Palestina e o seu povo”, declarou Finneas, que estava escalado para abrir shows do inglês no Brasil em dezembro. 

Ao anunciar o boicote, o grupo irlandês Beoga afirmou que o rapper Macklemore foi silenciado pelo "lobby sionista" e criticou a censura a artistas que se posicionam a favor da causa palestina. "Nós somos irlandeses e entendemos o colonialismo. Como membros fundadores do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina, nós somos ativistas compromissados com a justiça e continuaremos sendo", diz o comunicado publicado nas redes.

Outras personalidades demonstraram apoio à Macklemore, como a ativista Greta Thunberg e o ator Javier Barden, de filmes como Onde os fracos não tem vez

“Em um mundo de Ed Sheerans, seja um Macklemore”, diz um story compartilhado pelo ator nas redes sociais.

A ofensiva militar de Israel em nos territórios palestinos já deixou mais de 74 mil civis mortos, além de ter destruído a Faixa de Gaza e ter aumentado o número de ataques de colonos israelenses contra moradores da Cisjordânia. A Organização das Nações Unidas reconhece que as ações israelenses contra o povo palestino constituem um genocídio em curso.  

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postado em 15/09/2026 22:57
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