
Por muito tempo ainda estarei impactada pelo efeito Oscar. O que o filme Ainda estou aqui fez por nós, brasileiros, dificilmente qualquer política pública — ou mesmo uma grana considerável — faria com tamanha rapidez. Trata-se de reforçar laços com nosso país por meio da cultura. Vem aquele sentimento de orgulho, pertencimento, alegria genuína e aprendizado. A arte sempre nos convida para um lugar muito especial, entre eles para a compreensão da democracia e para o exercício pleno da cidadania.
Sorte a minha de trabalhar em um ambiente que também respira cultura. Numa redação de jornal, existem sempre muitos artistas, que vão muito além do trabalho na seara jornalística. Ex-colegas de Correio, como Graça Ramos e Conceição Freitas, além de Kleber Sales, nosso ilustrador, estão em um projeto lindo em conjunto com outros artistas de nossa cidade: uma série de livros infantojuvenis que apresentam os três palácios sedes dos Poderes da República em Brasília.
Doutora em Artes e jornalista, Graça Ramos idealizou a coleção de livros Palácios da Democracia, que será lançada em Brasília nesta quarta-feira, dia 2/4, às 17h, no Espaço Israel Pinheiro. As edições são lindamente ilustradas, com o intuito de "captar a adesão afetiva das crianças — e mesmo de adultos — para a riqueza do nosso Patrimônio Cultural e o respeito à democracia". Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal, atacados naquele fatídico 8 de janeiro, agora restabelecidos no papel em sua essência mais bonita.
Por meio das obras, crianças e adolescentes são convidados, por assim dizer, a uma visita cívica, mas também à beleza, ao encantamento e ao conhecimento. Com a leitura, poderão se afeiçoar aos monumentos e ter por eles respeito, identificação, admiração e amor, compreendendo a força e a importância do patrimônio histórico e cultural que temos aqui.
Outro colega de Correio, hoje no Estado de Minas, o jornalista Carlos Marcelo está na cidade para lançar seu novo livro: O Escutador. A história se passa em 1958 e conta a vida de Ademir Lins, que tem como profissão conversar com autores de sagas literárias para ser guardião de suas memórias. É mais um convite para saborear arte na veia vindo de um escritor brasiliense. É preciso, mais do que nunca, celebrar a cultura local para lembrar o quanto ela é importante para o exercício da democracia e da cidadania.
Há mais. Às vésperas de completarem 65 anos, Brasília e o Correio, nascidos no mesmo dia, vão comemorar os 40 de redemocratização. No próximo dia 8, na casa de Chá da Praça dos Três Poderes, lançaremos uma nova exposição de fotos publicadas nas páginas deste jornal.
Arte é libertação, memória, renovação. O povo que valoriza sua cultura fortalece sua história, garante sua perenidade. O Correio tem como missão atuar nessa causa.