CRISE DIPLOMÁTICA

Paraguai convoca embaixador brasileiro para esclarecer ataque hacker

O país vizinho também anunciou a suspensão das negociações sobre o Anexo C do tratado de Itaipu até que o Brasil explique o ato de espionagem.

Chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez, em coletiva de imprensa sobre suposta invasão da Abin 

 -  (crédito: Reprodução)
Chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez, em coletiva de imprensa sobre suposta invasão da Abin - (crédito: Reprodução)

O governo do Paraguai convocou nesta terça-feira (1º/4) o embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes, a prestar esclarecimentos sobre o ataque hacker da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contra o país.

O Paraguai também suspendeu todas as negociações em curso sobre o Anexo C do tratado da Itaipu Binacional, que é gerida pelos dois países. O ataque ocorreu entre junho de 2022 e março de 2023, para obter informações sigilosas sobre as negociações de tarifa da hidrelétrica.

“Convocamos o embaixador do Brasil no Paraguai, José Antônio Marcondes, para que ofereça explicações detalhadas sobre a ação de inteligência levada a cabo pelo Brasil”, disse comunicado divulgado pela Presidência do Paraguai.

  • Leia também: Chanceler paraguaio nega roubo de informações pela Abin

O país também chamou de volta o embaixador do Paraguai em Brasília, Juan Angel Delgadillo, para esclarecimentos. Nas relações exteriores, o gesto representa insatisfação, e é adotado quando há uma crise diplomática.

Governo Lula negou envolvimento com a invasão

O ataque hacker da Abin foi revelado ontem (31/3) pelo colunista Aguirre Talento, do Portal Uol, com base em investigação em curso da Polícia Federal (PF). Segundo o depoimento de um agente da Abin, a ação de espionagem foi autorizada durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), mas levada a cabo já no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

Agentes teriam invadido computadores do Congresso e da Presidência do Paraguai. Ainda ontem, o governo brasileiro negou envolvimento com o caso, e disse que a operação foi encerrada assim que descoberta pela nova administração. Nota divulgada pelo Itamaraty atribuiu a responsabilidade pelo ataque ao governo Bolsonaro.

Inicialmente, o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, minimizou o ataque, após conversa com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Lezcano afirmou que o Paraguai não tinha evidências da invasão, e que as informações sobre a Itaipu estavam resguardadas.

postado em 01/04/2025 16:40
x