
A oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu nesta terça-feira (1º/4) os próximos passos para avançar na aprovação do PL da Anistia. Em uma reunião estratégica liderada pelo deputado Zucco (PL-RS), os parlamentares decidiram obstruir os trabalhos no Congresso para forçar a tramitação do projeto.
O encontro, que contou com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro, reuniu Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Caroline De Toni (PL-SC), Altineu Côrtes (PL-RJ), entre outros. A principal decisão tomada foi a de usar o regimento interno para bloquear as pautas das comissões e do Plenário, com o objetivo de pressionar a Câmara a colocar o requerimento de urgência do projeto em votação. “Estamos vivendo um estado de exceção no Brasil. Para momentos de anormalidade institucional, precisamos atuar de forma muito firme”, afirmou Zucco, ressaltando a necessidade de buscar reparação para os presos e exilados políticos do país.
Reunião com Motta
Logo depois, os deputados Altineu Côrtes e Sóstenes Cavalcante seguiram para a residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos- PB), para uma reunião privada, com o intuito de avançar na pauta de anistia ao envolvidos nos atos antidemocráticos do 8 de janeiro de 2023.
“A reunião foi proveitosa, tratamos de emendas e de anistia. Ele pediu um prazo para conversar com os demais líderes para saber a decisão final dele. Eu disse que era um direito dele conversar com os demais, mas que era pra gente já resolver esse assunto pela manhã”, comentou Sóstenes a jornalistas na Câmara.
Segundo o parlamentar, o projeto de anistia já está madura, com mais de 310 votos, e “isso só depende do presidente da Casa agora para aprovar”. Ele ressou ainda a importância do projeto para o Partido Liberal e disse que a legenda negociará “qualquer coisa” para a conclusão do texto e que esse projeto não tem ligação com o caso do ex-presidente Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal (STF), apenas com aqueles que estão “presos injustamente".
Coletiva com familiares
Como parte da estratégia, a oposição promoverá, nesta quarta-feira (2/4), uma coletiva de imprensa no Salão Verde da Câmara dos Deputados com familiares dos detidos. No evento, será divulgado um relatório da associação dos familiares e vítimas do 8 de janeiro, que denuncia supostos abusos e violações de direitos nas prisões conduzidas pelo Supremo.
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Segundo Zucco, aproximadamente 1,5 mil pessoas foram detidas em frente ao Quartel-General do Exército no dia 9 de janeiro, incluindo idosos, crianças e pessoas com comorbidades. Ele ressaltou que não há provas de envolvimento dessas pessoas em atos de vandalismo. “Vamos mostrar à sociedade e ao mundo que existem muitas outras Déboras, situações que envergonham o Brasil perante a comunidade internacional”, declarou Zucco, citando a mulher que vandalizou a estátua do STF com batom. Ela foi condenada a 14 anos pelos crimes de deterioração de patrimônio tombado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e associação criminosa armada.
Além disso, o grupo já iniciou os preparativos para um grande ato previsto para 6 de abril, em São Paulo. Bolsonaro e os parlamentares presentes na reunião gravaram um vídeo convocando apoiadores para a manifestação na Avenida Paulista, que promete reunir um grande público.