
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets intensificou, nesta terça-feira (1º/4), o debate sobre a atuação de influenciadores digitais na promoção de apostas esportivas. A relatora, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), defendeu a proibição total da publicidade desse setor, comparando o caso às restrições impostas ao álcool e ao cigarro.
"A CPI no relatório vai apresentar um projeto de lei de autoria própria, e nós vamos proibir, tal qual acontece com os cigarros e o álcool. Ninguém ganha das bets", afirmou ao Correio. Segundo a parlamentar, o projeto também prevê punições para influenciadores que promovem esse tipo de conteúdo sem alertar sobre os riscos envolvidos.
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O presidente da CPI, senador Dr. Hiran (PP-RR), reforçou a preocupação com o impacto da publicidade das casas de apostas sobre os jovens. "Precisamos discutir se vale a pena deixar que influenciadores digitais ganhem milhões de reais estimulando jovens a jogar. Acho que isso não está muito certo. Precisamos discutir isso e eventualmente proibir esse tipo de propaganda", comentou à reportagem.
Outro ponto central das investigações é o impacto do jogo nas famílias de baixa renda. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participará da CPI na próxima terça-feira (9/4) para esclarecer a rastreabilidade das moedas utilizadas nas apostas e os efeitos financeiros para beneficiários do Cadastro Único e do Bolsa Família.
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"Galípolo estaria aqui esta semana, mas teve um conflito de agenda. Na próxima terça-feira, já está confirmada a presença dele. Ele vai falar sobre o impacto dos custos para as famílias do CadÚnico e como evitar que essas empresas, muitas delas sediadas em paraísos fiscais, levem dinheiro do país sem reverter benefícios para a sociedade", explicou Dr. Hiran.
A CPI pretende aprofundar a análise dos dados sobre apostas realizadas com recursos do Bolsa Família. "Precisamos ouvi-los para ter informações corretas", enfatizou Soraya.
*Estagiária sob supervisão de Andreia Castro
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