
O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), disse nesta terça-feira (1º/4) que, apesar da movimentação da oposição para aprovar o projeto da anistia, a Casa não votará a urgência do texto nesta semana. Desde a semana passada, a oposição ameaça obstruir as votações da Câmara. Na segunda (31/3), intensificou a pressão sobre o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB).
“Como era previsto, não haverá votação da urgência do PL da anistia. Eu conversei com vários líderes, a oposição falava muito, mas na verdade não existem as assinaturas para o requerimento de urgência. Eu conversei com cada um dos líderes, conversei com o presidente Hugo Motta e, na verdade, essa é uma pauta que não interessa ao parlamento. O parlamento tem que votar temas de interesse do país”, disse Lindbergh a jornalistas.
Hoje, Motta se reuniu com líderes partidários, inclusive com Lindbergh e com o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que promete mobilizar os 92 deputados do partido em prol do texto que anistia os golpistas e pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Eu conversei com os líderes dos maiores partidos dessa Casa. Ninguém está querendo ir para essa pauta. As pessoas sabem e, aqui, as lideranças dos partidos do Centrão sabem que essa pauta paralisa o país e arrasta o Poder Legislativo por uma crise institucional, porque é inconstitucional o projeto da anistia”, comentou o líder do PT.
“É tão absurdo isso que estão propondo, porque, veja, o julgamento (dos envolvidos nos atos golpistas) está para começar. O parlamento votar urgência de uma anistia é querer interferir no julgamento independente do Supremo Tribunal Federal. Uma das causas de prisão preventiva é quando você atrapalha uma investigação. Eu sei que os parlamentares têm suas prerrogativas, mas aquilo não é mais uma investigação, é um julgamento”, continuou.
Reciprocidade econômica
O Senado aprovou nesta terça um projeto relatado pela senadora Tereza Cristina (PP-MT) que permite ao governo brasileiro responder à imposição de taxas ou de medidas que prejudiquem os produtos brasileiros. O contexto é o anúncio, na quarta (2/4), do “tarifaço” do presidente Donald Trump (Republicanos) a países que impõem taxas aos produtos norte-americanos.
Para o líder do PT, a tentativa da oposição de trancar a pauta não deveria atrapalhar a aprovação do projeto, que, para Lindbergh, deve ser prioridade.
“O mundo inteiro está se preparando para o anúncio do Trump amanhã. E a gente tem que votar isso aqui na Câmara também. Imagina a gente ficar parado num momento como esse, discutindo um projeto que só interessa a Jair Bolsonaro”, enfatizou.