Neurônios em dia

O cérebro de uma mulher se modifica de diferentes formas após uma primeira e segunda gestação

Estudo revela que transformações cerebrais na segunda gravidez aprimoram o foco e a atenção, contribuindo para uma maior reserva cognitiva e proteção no envelhecimento

Após o parto, as mães recuperam suas habilidades e ficam até mais eficientes do que antes da gravidez -  (crédito: Unsplash/ Andriyko Podilnyk)
Após o parto, as mães recuperam suas habilidades e ficam até mais eficientes do que antes da gravidez - (crédito: Unsplash/ Andriyko Podilnyk)

Uma pesquisa recém-publicada pela Nature Communications demonstra que a modificações ocorridas no cérebro de uma mulher com uma primeira gestação é diferente das que ocorrem após uma segunda. Enquanto na primeira gravidez o cérebro passa por modificações estruturais e funcionais associadas à reflexão e habilidades sociais, em uma segunda gestação essas mesmas mudanças acontecem, de forma mais discreta, mas com incrementos em circuitos voltados à atenção e resposta a estímulos sensoriais. Essas últimas modificações podem deixar o cérebro de uma mãe mais preparado para o cuidado de múltiplos filhos. 

Estudos anteriores já haviam evidenciado que o cérebro de mulheres com múltiplos filhos mostra-se mais jovem do que naquelas com apenas um filho ou sem filhos. Outras evidências apontam que a maternidade leva a incrementos estruturais e funcionais no longo prazo que podem estar associados a um menor risco de doenças como derrame cerebral e Doença de Alzheimer, fatos já demonstrados em modelos animais. 

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Cerca de 80% das mulheres na gestação, especialmente no terceiro trimestre, queixam-se de menor desempenho cognitivo, e alguns estudos confirmam essa tendência, mas demonstram que a intensidade não chega a atrapalhar as atividades do dia a dia. Temos evidências também que, após o parto, as mães recuperam suas habilidades e ficam até mais eficientes do que antes da gravidez. O atual corpo de evidências, juntando resultados de modelos animais e humanos, nos permite pensar que a maternidade colabora para uma maior reserva cognitiva, deixando as mulheres mais resilientes ao processo de envelhecimento cerebral.   

*Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília

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RA
postado em 24/07/2026 17:10
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