
Quem me acompanha por aqui, já percebeu, que vez ou outra, trago a região Norte como pauta para esta coluna.
Profissionalmente, viajo uma vez por mês e atuo na rica região de Carajás, no estado do Pará. Confesso que adoro esse trabalho, que é sempre intenso e que me oferece oportunidades únicas de conhecer um lado do Brasil, que era muito distante para mim e que hoje me encanta e me faz mais rico em conhecimento cultural e social.
Para irmos direto ao ponto central do conteúdo de hoje, no Pará, no recorte especial da região de Carajás, a cada ida a campo, conheço pessoas especiais. Ali na região da mineração, o que vemos é uma população miscigenada, ocupando espaços de trabalho em cidades ainda muito jovens e que nasceram no coração da floresta, por conta de um segmento econômico importante e transformador em todos os sentidos.
Fato é, que hoje, com a sustentabilidade em alta, com o comportamento ESG cada vez mais evidente e já alcançando o cidadão comum, fica fácil de percebermos que apesar da região de Carajás ser um celeiro de oportunidades, ainda encontramos uma diferença social gritante, latente e que busca o seu equilíbrio econômico.
Este equilíbrio nasce pelas mãos inquietas e corajosas das mulheres, que caíram ali por força de um casamento que as levaram para lá, ou porque já nasceram neste cenário, mas na realidade, nem sempre são amparadas pelas benesses de um segmento rico, mas que sustenta uma desigualdade social muito evidente.
Empreendedorismo feminino: um ato de resistência
Nesse contexto, o protagonismo feminino torna-se um ato de resistência e transformação. As mulheres do Pará, especialmente na região de Carajás, assumem o papel de empreendedoras sociais e econômicas, muitas vezes sem os mesmos acessos e condições que os homens.
Ao romperem barreiras históricas e culturais, elas demonstram que igualdade de gênero não é apenas uma pauta de justiça social, e sim um caminho concreto para o desenvolvimento sustentável.
Suas iniciativas criativas, que vão desde pequenos negócios locais até projetos de impacto comunitário, reafirmam que o empoderamento das mulheres não beneficia apenas a elas, mas fortalece toda a sociedade.
Hoje, nesta coluna, me refiro à coragem e à ousadia das mulheres para as quais amenizo as dificuldades do dia a dia, chamando-as de mulheres de fibra, farinha e futuro, fazendo uma alusão a alguns de seus insumos de sobrevivência, uma vez, que pela força do trabalho feminino, o empreendedorismo vem sendo percebido, cada vez mais forte e presente em regiões bastante remotas e que as grandes oportunidades custam a chegar.
LEIA TAMBÉM: ESG, vivemos entre o discurso e a transformação!
O bom, é que no Pará, a floresta fala, os rios cantam e as panelas estão sempre fervendo. Só que, nos últimos tempos, tem algo mais borbulhando por lá.
É a veia empreendedora do povo paraense, que, teimosamente, não espera as oportunidades caírem do céu! É lá, no coração do Pará, que a floresta amazônica se encontra com a determinação das mulheres e histórias de empoderamento e inovação estão sendo escritas.
Em regiões rurais, onde os desafios são muitos e os recursos são escassos, as mulheres estão se destacando como empreendedoras, criando oportunidades e gerando renda para suas famílias e comunidades. Se tem algo que salta aos olhos, é a coragem das mulheres.
Das feiras semanais aos assentamentos e fazendas das Cidades de Pequeno porte, elas aprenderam a transformar o que têm à mão em complemento de renda, em identidade e, claro, em independência.
O empreendedorismo feminino no Pará é uma história de força e criatividade. É uma história de mulheres que não se contentam em esperar que as oportunidades cheguem até elas, ao contrário, as mulheres se organizam e vão ao encontro destas oportunidades, com determinação e inovação.
É uma história que inspira e motiva, mostrando que, mesmo nos lugares mais remotos, a vontade de mudar e a criatividade podem gerar resultados incríveis.
Adaptando e transformando
O surpreendente é que com alguns encontros de sensibilização e capacitação gerencial, elas se tornam empreendedoras, que dão aula de gestão sem nunca terem ouvido falar de “marketing digital”.
Outras transformam uniformes usados nas minas e insumos da mineração, em peças reutilizáveis, dando novas formas e usos a tudo isso e tem também as mulheres agricultoras que entendem mais de finanças do que muito executivo engravatado.
Nos assentamentos rurais, onde a mobilidade não é tão disponível, as soluções não vêm de cima, mas de dentro dos quintais, com sabedoria, criatividade e muito esforço.
O bom é assistir o peixe do igarapé virando o prato especial no domingo, produtos do quintal como a mandioca, virando a farinha, sendo embalada e comercializada na cidade, e até o tucupi, aquele molho temperado com história e pimenta, encontrando destino em mercados no Pará e fora do estado.
É a velha máxima, “se a estrada não chega, a criatividade abre caminho”. E o Pará, com toda sua riqueza natural e cultural, se torna palco de pequenos negócios que, quando somados, formam um espetáculo de resistência e inovação.
No meio rural, principalmente, empreender não é escolha de luxo, é necessidade. Mas a cada bolo vendido, a cada queijo produzido no quintal, a cada bordado feito à noite, muitas vezes com a iluminação precária, vai se costurando também uma nova trama social, a da mulher que descobre a ousadia da independência financeira.
São comuns os relatos orgulhosos, “não peço um centavo sequer ao meu marido!”
E ousadia, convenhamos, é uma palavra que combina muito com o Pará. Basta ver como essas empreendedoras encaram os desafios, com coragem, com riso fácil, mãos calejadas, olhar firme e aquela certeza inabalável de que, sim, elas podem, conseguem e vão construir o próprio caminho.
O Pará é um exemplo no enfrentamento de obstáculos
No fim das contas, o Pará nos lembra que empreendedorismo não é só abrir empresa com CNPJ e logomarca, mas é a arte de sobreviver, criar, inovar e florescer, mesmo quando a estrada é de terra batida e os obstáculos são grandes.
E, sinceramente, quem já provou um pão caseiro, ou um suco natural feito por mãos empreendedoras sabe bem, que nada é mais saboroso do que o gosto da autonomia.
No coração do Pará, onde o cheiro de tucupi é mais forte que Wi-Fi e a conversa boa corre solta na beira do fogão e por ali, pendurando a tripa tratada e salgada do boi para secar no varal, nasce uma revolução silenciosa e feminina.
Não tem outdoor, não tem hashtag, mas tem força, vigor e foco de quem sabe e precisa transformar o que tem disponível em produto e fazer dinheiro com o resultado do esforço do dia.
É nas comunidades rurais, que as mulheres resolveram que esperar não é verbo que se conjuga por lá. Se o emprego não vem, elas fazem. Se a cidade as esquece, elas lembram, que têm terra, têm sabedoria e têm mão boa para negócios.
Vale a pena conhecer, são mulheres, que tem braço forte de quem planta e colhe. Nem sempre têm os diplomas, mas sabem o ponto certo da maniçoba e os segredos da lida rural, que encantam turistas e rendem uns trocados. E o mais bonito, é a formação de uma singela rede de cooperação mútua!
Saudável também é perceber que isso não acontece só por necessidade, muitas vezes, é por ousadia mesmo. Porque empreender, é também um ato de independência. É transformar o açaí do quintal em renda, o artesanato em alimento e o saber cultural, em direito ao futuro.
LEIA TAMBÉM: A força das mulheres empreendedoras, que cultivam sonhos no coração do Pará
Essas mulheres não esperam políticas públicas baterem à porta, mas quando chegam as oportunidades, com certeza elas aproveitam, para isso, precisam se organizar, seja em um coletivo, seja em associações ou cooperativas, mas elas dão vida e vigor aos seus anseios.
Empreendedorismo feminino no Pará é uma realidade
Para mim, isto já é uma constatação. No Pará, o empreendedorismo feminino não é tendência, mas está virando tradição e muito tangível. Seja em Canaã dos Carajás, em Serra Pelada, em Água Azul do Norte, em Parauapebas, sempre encontramos líderes femininas ainda na escola, outras com o ensino fundamental e até mestrandas, mas bonito é ver a mistura de cultura, coragem e criatividade que transformam assentamentos em centros de inovação.
E tudo isso com um tempero que só quem já provou sabe, é forte, é autêntico, é paraense.
O Pará é um estado rico em cultura e recursos naturais, e as mulheres empreendedoras estão mostrando que também é rico em potencial e oportunidades. Com sua força e criatividade, elas estão mudando a realidade de suas comunidades e inspirando outras a fazer o mesmo.
É hora de reconhecer e apoiar essas mulheres, que estão fazendo a diferença no Pará e no Brasil.
Até a próxima.
Siga o @portaluaiturismo no Instagram e no TikTok @uai.turismo