
Aconteceu entre os dias 21 e 23 de agosto a edição de 2025 do Salão do Turismo, um dos maiores eventos de turismo do país. A feira, que aconteceu no Distrito do Anhembi, em São Paulo, encerrou sua programação tendo recebido mais de 35 mil pessoas, o que representou um recorde de público e consolidou a edição como o melhor Salão da história.
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Participantes do evento classificaram o Salão do Turismo como importante para geração de integração e fortalecimento do setor. Durante os três dias de evento, os destinos brasileiros foram destaque por meio de espaços selecionados, experiências imersivas e momentos de capacitação. Tanto a promoção nacional quanto a internacional foram muito debatidas e fomentadas. A feira tratou de assuntos como regionalização, afroturismo, sustentabilidade, empregabilidade de pessoas LGBTQIA+, planos de promoção e fortalecimento do setor, entre outros.
Eventos que reúnem o trade turístico são fundamentais para mostrar a força do setor e impulsionar o desenvolvimento de estratégias que gerem estruturação adequada do turismo, contudo, o pós de um evento desse porte é a parte principal. Impulsionamentos e discussões importantes não devem ficar apenas nos dias da feira, é preciso que esses debates saiam da teoria e sejam efetivamente colocados em prática, mostrando que o turismo é um setor sério, complexo e que está disposto a se consolidar como uma das principais fontes de economia do país.
O Salão do Turismo mostrou que o trade está empolgado com os rumos que o turismo tem tomado e que está empenhado em fazer o setor acontecer da maneira que ele merece. Com abertura e venda direta para o público através do Feirão do Turismo, também mostrou que o turista brasileiro está cada vez mais interessado nas viagens domésticas e em explorar o próprio país. O evento foi o conjunto de provas que o turismo precisava para mostrar sua potência e passar a ser olhado com seriedade.
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Por isso, a parte mais importante do Salão do Turismo começa agora. É preciso aproveitar que o setor ainda está aquecido para conseguir cobrar por uma estruturação eficiente. A movimentação que acontece na feira é uma coisa linda de se ver, mas é preciso ir na raiz dos destinos e empreendimentos turísticos para que o turismo no Brasil possa acontecer, de fato, de forma sustentável.
Nos últimos anos, o Ministério do Turismo e a Embratur têm aumentando os esforços para o desenvolvimento do setor no país e isso tem gerado resultado, com o turismo no Brasil batendo recordes tanto em viagens domésticas quanto em chegadas internacionais. O que mostra mais uma vez que com investimento, estratégia e estrutura adequada, o turismo se desenvolve e se torna uma opção econômica viável para empreendedores e destinos turísticos.
O turismo no dia a dia
O turismo é feito de pequenos passos e somando a participação de todos os envolvidos. Na feira, é muito fácil ver a divisão da cadeia do turismo, em que destinos, empreendimentos e governança tem seu lugar delimitado, contudo, no cotidiano, a linha da divisão acaba ficando mais tênue e isso atrapalha o desenvolvimento do setor. O primeiro passo para um pós que faça a diferença é aprender a trabalhar o destino turístico como um todo.
O poder público precisa aprender a conciliar empreendedores, sociedade civil e turistas, fazendo as organizações adequadas para que as cidades sejam atrativas para visitantes sem deixar de ser o local de moradia da sua população. Empreendimentos turísticos precisam aprender a trabalhar em harmonia, compreendendo que o turista precisa de um conjunto de serviços para conseguir conhecer uma região e que a pluraridade de meios de hospedagem, agências de receptivo, restaurantes e outros empreendimentos é um fator positivo para um destino que quer receber turistas variados.
Como sempre, a teoria parece muito simples no papel e é compreensível a dificuldade na hora de se colocar em prática. Mas do mesmo jeito que um corpo humano precisa de cada órgão fazendo a sua função para funcionar direito, assim também é o turismo. Quem optou pelo setor precisa aprender a fazer seu dever de casa para que esse grande corpo chamado turismo consiga respirar, ficar em pé e caminhar.
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Além de aprender a colocar as capacitações ensinadas nas feiras em prática, a união do setor deve aumentar a cobrança para assuntos que irão impactar significativamente o desenvolvimento do turismo, tendo como exemplo a regulamentação da profissão de turismólogo — profissional tão importante na implementação de políticas públicas de turismo e no planejamento e gestão de destinos turísticos — que ainda está aguardando aprovação no Senado Federal. É difícil alcançar um desenvolvimento sustentável e responsável do turismo no país enquanto um dos principais personagens para o fortalecimento do setor continuar na busca por valorização.
Que a integração do setor do turismo não fique apenas nas feiras, que consigamos compreender a complexidade que o setor demanda e saibamos cobrar dos órgãos responsáveis investimento, estrutura e estratégia e, principalmente, que aprendamos a fazer a nossa parte.
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