
Entramos na última semana de agosto, que é considerado o mês do folclore em referência ao dia 22 do mês em 1846, quando o termo “folclore” foi usado pela primeira vez por um pesquisador britânico, William John Thoms.
William Thoms, pesquisou tanto, até imaginar que unindo as palavras inglesas “folk” e “lore” definiria etimologicamente a sabedoria popular. E para festejarmos a simplicidade, a beleza, as cores e a profunda sabedoria das tradições populares, a referência à data no mês de agosto, serve para celebrar e valorizar as manifestações culturais populares, como lendas e costumes do povo brasileiro.
Mas, como no Brasil as comemorações se prolongam, faço hoje, um convite a todos vocês, para que após um inverno um pouco mais rigoroso, nos preparemos para recebermos a primavera, visitando Jequitibá, um simpático município mineiro, que já foi freguesia do município de Santa Luzia, sendo criado em 1856 e um distrito de Sete Lagoas, criado em 1891. Em 27 de dezembro de 1948, Jequitibá é elevado à categoria de município, recebe esta denominação e é finalmente instalado em 1º de janeiro de 1949.
Jequitibá, fica, em média, a 30 km de Sete Lagoas e a 100 km de Belo Horizonte, a capital do estado e de 11 a 14 de setembro, o município se transformará em palco de cores, danças, ritmos e tradições.
Praticamente acolhendo a primavera, Jequitibá apresenta o Festival de Folclore, que completa 35 anos em 2025. Serão quatro dias de programação intensa e gratuita.
A edição 2025 do Festival de Folclore, contará com uma retrospectiva das manifestações populares que têm marcado a trajetória do evento, que se destaca pelos saberes ancestrais e a partilha de conhecimentos culturais transmitidos de geração em geração.
Conhecida, merecidamente, como a “Capital mineira do folclore”, Jequitibá se preparou bem, para receber seus visitantes. A estimativa de público é de 30 mil pessoas, com expectativas de um público aumentado, de acordo com a organização do festival, que é uma realização da Prefeitura Municipal de Jequitibá com a produção executiva da Az Produções.
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“A cada ano, o festival confirma sua importância como patrimônio imaterial do município e, nesta edição comemorativa, pretende revisitar memórias, homenagear mestres e fortalecer ainda mais o elo entre gerações, além de resgatar a identidade cultural de Minas Gerais”, ressalta Valéria Matos, diretora da AZ Produções.
Sobre o Festival de Folclore de Jequitibá
“A tradição da festa teve início em 1986, quando Geraldo Inocêncio de Souza, morador da cidade, reuniu grupos folclóricos em sua casa. No ano seguinte, a iniciativa se tornou festival e, em 1988, já havia se consolidado, rendendo a Jequitibá o título de Capital Mineira do Folclore. Desde então, o evento cresce a cada edição, levando a cultura mineira para o Brasil e o mundo”, conta a jornalista Ivana Andrade.
Para você que aprecia as tradições populares, a abertura oficial do festival acontece na quinta-feira, 11 de setembro, às 17h e terá apresentações das escolas locais e dos grupos folclóricos da cidade, como a Guarda de Massambique do Santíssimo Sacramento, as Lavadeiras de Jequitibá e a Folia de Reis. À noite, será a vez dos shows da Orquestra Mineira de Viola Caipira e da Banda Maraká.
Na sexta-feira, 12, durante o dia, a festa continua com o projeto “Vivendo o Patrimônio”, que promove atividades educativas com alunos das escolas municipais. À noite, sobem ao palco grupos culturais como a Folia de São Sebastião, a Dança do Tear e as Pastorinhas. As atrações musicais serão o Vilmar da Lapinha e a Banda Tira o Pé.
O sábado, 13 de setembro, será marcado por apresentações de grupos culturais de Jequitibá e região, com destaque para diversas Folias de Reis e participação especial das Cantadeiras do Souza. Outros destaques serão o violeiro Chico Lobo e a cantora Bruna Viola, é uma festa completa.
O encerramento do festival no domingo, 14, começa cedo, às 7h, com uma missa em homenagem aos folcloristas, seguida do tradicional Cortejo da Cultura Popular, que reunirá mais de 25 grupos folclóricos vindos de diferentes cidades de Minas Gerais.
Ao longo do dia, o público poderá assistir a apresentação teatral do Alto do Boi da Manta (manifestação cultural tradicional ligada ao Bumba Meu Boi) e de grupos de Folia de Reis, Congado e Candombe e muito mais. O encerramento se dará com apresentação da banda Caloi Cross.
Gastronomia e cultura popular
A gastronomia é também um dos destaques do festival. Para os apreciadores da boa comida mineira, haverá várias opções de pratos especiais feitos com ingredientes regionais, como ora-pro-nóbis, cansanção, entre outros.
E estando em Jequitibá, vale a pena conhecer um pouco das tradições locais, como o ritual da Encomendação das Almas, por meio do Sr. Joaquim Cândido, mantenedor do movimento.
Segundo Cândido, por tradição, o “Grupo de Encomendação das Almas Descanse em Paz”, canta atendendo prioritariamente durante a quaresma, de acordo com o calendário anual da igreja católica e por tradição, a cantoria se dá segundas, quartas ou sextas-feiras e o rito começa na igreja e seguem com os cantos, aproximadamente entre 09 e 11 cantores, com suas túnicas brancas, até o cemitério, onde se encerram as atividades,
Os cantos acompanham a liturgia católica e o instrumento que acompanha os cantos é somente a matraca, um instrumento litúrgico usado na Igreja Católica durante a Semana Santa, principalmente na Sexta-feira Santa. Ela substitui o som dos sinos, que são silenciados em sinal de luto, pela morte de Jesus Cristo.
Interessante no rito da Encomendação das Almas, é o fato de que quando o grupo é convidado para cantarem em residências, ao chegar no local, eles procuram a Cruz e ali é cantado o primeiro verso e o restante dos cânticos, nas portas das casas visitadas.
Os cantos, sonoros, melódicos e muito significativos se dão quase que como um recitativo gregoriano, marcados pelo som seco e chamativo das matracas.
Particularmente, eu acho linda a manutenção destas tradições culturais e o melhor é que estão sendo preservadas e repassadas às novas gerações, de pais para filhos, como uma herança cultural que perpassa os anos e garante a perenidade, como os movimentos das folias de Santos Reis e o congado, que também estão presentes em Jequitibá.
Por lá, com o Congado nas ruas, quando o Capitão da Guarda empunha a sua Espada de Luz, com sua ponta em direção do céu, representando São Miguel Arcanjo, o movimento orienta a Bandeira, que vai à frente da guarda, abrindo simbolicamente os caminhos. Uma beleza de ritual, acompanhado de fé, de danças, de fitas, espelhos, simplicidade e crenças.
Atividades paralelas
E voltando ao Festival de Folclore, além da programação principal, o festival conta com atividades paralelas em diversos locais, como oficinas gratuitas de patrimônio cultural, de gastronomia, de artesanato, confecção de oratórios e saboaria, além de tambor.
Acontecem também palestras sobre turismo, patrimônio cultural e esportes, além da Mostra Saci e da Mostra de Audiovisual com documentários produzidos em Jequitibá e na região.
Com belezas naturais, tradição cultural e hospitalidade, Jequitibá é um destino para quem busca descanso, lazer e contato com as raízes da cultural popular e em setembro, a cidade nos espera com essa riqueza de festa, que enriquece o calendário festivo do estado de Minas Gerais.
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Programe-se e de 11 a 14 de setembro, esteja em Jequitibá – MG, prestigiando o Festival de Folclore. Se quiser antecipar as sensações, acompanhe tudo pelas redes sociais no Instagram @folclorejequitiba e pelo Facebook.
Minas Gerais é um estado privilegiado, com cultura, tradição, gastronomia, segurança, paz, natureza farta e simplicidade em seus 853 municípios e dentre eles, a chamada da vez é para Jequitibá.
Finalizando, agradeço a contribuição da jornalista Ivana Andrade, que faz a assessoria de imprensa do evento e contribuiu com este conteúdo.
E você, não perca tempo, programe-se e venha aproveitar conosco as belezas da cultura popular brasileira.
Até a próxima.
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